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Fonte: uol - Fonte:

Crianças-soldados do EI praticam decapitação com bonecas e aprendem guerra santa em app


Em uma tenda num campo de refugiados em Dohuk, no sopé de montanhas amareladas, Amir e Ahmed, 15 e 16, desenrolam seus colchonetes no chão para esquecer as terríveis lembranças. É uma noite fria de outono; eles se apoiam em almofadas e ligam a TV. Os irmãos fugiram do cativeiro do Estado Islâmico (EI) há seis meses. Agora, tudo o que querem é assistir desenhos animados. Os dois percorrem os canais. O EI também tem um canal de propaganda, que os espectadores podem sintonizar com facilidade na região curda do norte do Iraque. Ahmed, que segura o controle remoto, de repente avisa: "Olhe, Amir, somos nós! Somos nós!" Os irmãos se reconhecem na tela: com roupas pretas, os rostos mascarados, junto de outras crianças-soldados, durante o treinamento de combate em Mosul. Agora é primavera, e aquela noite passada na frente da televisão foi há alguns meses atrás. Ahmed e Amir, sentados lado a lado, falam sobre o assunto na mesma tenda pequena no acampamento. Ahmed, o mais velho, fala com voz rouca sobre o tempo que passaram com o EI, enquanto Amir olha para o chão. Eles nos deram drogas e, depois disso, nós acreditamos em tudo" Ahmed e Amir Eles foram mantidos reféns pelo EI durante nove meses, presos em um campo militar em Mosul, o baluarte do EI no Iraque. Lá, a organização terrorista usou surras e armas para treiná-los para se tornarem crianças-soldados, ou "filhotes de leão do califado", como eles dizem. Os "filhotes de leão" se explodem para matar supostos infiéis. Eles presenciam decapitações para aprender como são feitas. Eles doam sangue para os combatentes feridos. E denunciam traidores. É difícil determinar quantas crianças-soldados o EI está treinando. Especialistas calculam que cerca de 1.500 meninos estejam servindo ao grupo terrorista no Iraque e na Síria. Alguns são filhos de militantes. Na verdade, mais de 31 mil mulheres estão grávidas atualmente em território sob o poder do EI. Outras crianças chegam com seus pais do exterior quando os pais se unem ao movimento jihadista. Em muitos casos, os "filhotes de leão" também são filhos de combatentes locais ou órfãos que entram para o EI voluntariamente. Outros, como Ahmed e Amir, são raptados. Os irmãos cresceram em uma aldeia na região de Sinjar. Eles levavam uma vida boa, segundo dizem, jogando futebol, subindo nas montanhas e apanhando galinhas, até que o EI atacou sua aldeia, em agosto de 2014. Os homens entraram na aldeia em caminhonetes, ameaçando os moradores até que estes fugiram apavorados --mas era tarde demais. Eles puxaram os irmãos para um veículo e os levaram a um ponto de coleta em Tall Afar, onde foi decidido como eles seriam usados. O EI dividiu os meninos em dois grupos. Os mais jovens e mais fracos ficariam na escola para aprender o Corão. Os mais velhos seriam enviados diretamente para o treinamento militar em Mosul. Ahmed e Amir foram levados a um campo de treinamento com 200 crianças. O EI queria que eles esquecessem que são iazidis (minoria étnica curda). Eles dizem que ficaram calados, com medo de falar qualquer coisa.