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Fonte: UOL - Fonte:

Alemão preso dá detalhes de como o Estado Islâmico construiu uma rede global de assassinos1


Acreditando estar respondendo a um chamado sagrado, Harry Sarfo deixou sua casa na cidade de classe operária de Bremen, na Alemanha, no ano passado, e dirigiu por quatro dias até chegar ao território controlado pelo Estado Islâmico na Síria. Ele mal tinha se estabelecido quando membros do serviço secreto do Estado Islâmico, com os rostos cobertos por máscaras, vieram para informar a ele e seu amigo alemão que não queriam mais que europeus viessem para a Síria. Eles eram realmente necessários em seus próprios países, para ajudar no plano do grupo de espalhar o terrorismo por todo o mundo. "Ele falava abertamente sobre a situação, dizendo que tinha um grande número de pessoas vivendo nos países europeus aguardando pela ordem de ataque aos povos europeus", contou Sarfo em uma entrevista para o "New York Times", conduzida em inglês dentro da prisão de segurança máxima próxima de Bremen. "E isso foi antes dos ataques em Bruxelas, antes dos ataques em Paris." O homem mascarado explicou que, apesar de o grupo estar bem preparado em alguns países europeus, ele precisava de mais agentes na Alemanha e no Reino Unido, em particular. "Eles disseram: 'Você se importaria em voltar para a Alemanha? É o que precisamos no momento'", lembrou Sarfo. "E sempre diziam que queriam ter algo ocorrendo ao mesmo tempo. Eles queriam muitos ataques ocorrendo ao mesmo tempo na Inglaterra, Alemanha e França." Os agentes pertenciam a uma unidade de inteligência do Estado Islâmico conhecida em árabe como Emni, que se transformou em uma combinação de uma força policial interna e um braço de operações no exterior, dedicada a exportar o terrorismo, segundo milhares de páginas da inteligência francesa, belga, alemã e austríaca, assim como as transcrições de interrogatório obtidas pelo "Times". Os ataques do Estado Islâmico em Paris, em 13 de novembro, chamaram a atenção de todo o mundo para a rede externa de terrorismo do grupo, que começou a enviar combatentes ao exterior há dois anos. Agora, o relato de Sarfo, juntamente com os de outros recrutas capturados, abre ainda mais a cortina para o mecanismo do grupo para projeção da violência além de suas fronteiras. O que descreveram é um serviço secreto de múltiplos níveis sob o comando geral do porta-voz e chefe de propaganda sírio do Estado Islâmico, Abu Muhammad al-Adnani. Sob seu comando se encontra uma camada de tenentes empoderados para planejar ataques em diferentes regiões do mundo, incluindo um "serviço secreto para assuntos europeus", um "serviço secreto para assuntos asiáticos" e um "serviço secreto para assuntos árabes", segundo Sarfo. Reforçando a ideia de que o Emni é um elemento central das operações do Estado Islâmico, as entrevistas e documentos indicam que a unidade conta com carta branca para recrutar e redirecionar agentes de todas as partes da organização, de recém-chegados a combatentes experientes, assim como das forças especiais do grupo e suas unidades de comando de elite.